Mensagem de Condolências | Arautos do Evangelho




ASSOCIAÇÃO ARAUTOS DO EVANGELHO 

DOM VICTOR KERNICKI SCOGNAMIGLIO 
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
ARCEBISPO TITULAR DE MAURIANA
NÚNCIO APOSTÓLICO NO BRASIL

CARTA DE CONDOLÊNCIAS

Ao Reverendíssimo
Pe. Vinícius Santoro
Membro da Associação de Direito Diocesano Arautos do Evangelho

Reverendíssimo e estimado irmão em Cristo,

Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia do falecimento de sua querida avó. Em nome de todos os membros da Associação de Direito Diocesano Arautos do Evangelho, uno-me a vós neste momento de dor e de saudade, elevando ao Senhor nossas preces e nosso coração solidário diante da perda desta tão estimada familiar.

A morte de alguém que amamos sempre toca profundamente a alma humana. Ainda que a fé nos sustente e nos ilumine, a separação temporal causada pela partida de um ente querido provoca em nós um sofrimento legítimo, marcado pela saudade, pelo silêncio e pela lembrança dos momentos vividos. Nosso Senhor Jesus Cristo, ao aproximar-se do túmulo de Lázaro, também chorou (cf. Jo 11,35), revelando-nos que a dor da perda não é incompatível com a fé, mas pode tornar-se caminho de encontro mais íntimo com o mistério do amor divino.

Neste momento delicado, queremos assegurar-lhe que toda a Associação se encontra espiritualmente unida ao senhor, oferecendo sufrágios pela alma de sua avó e rogando ao Divino Consolador que fortaleça o vosso coração sacerdotal e o de todos os familiares. A comunhão dos santos nos recorda que, em Cristo, aqueles que partiram desta vida permanecem unidos a nós na esperança da eternidade. A morte não possui a última palavra. A última palavra pertence sempre a Deus, que é Senhor da vida e da ressurreição.

A Igreja, nossa Mãe e Mestra, sempre ensinou que a existência humana não termina no sepulcro. Pelo contrário, ela encontra sua plenitude no encontro definitivo com Deus. Como professamos no Credo: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna.” Esta verdade sustenta o coração cristão em meio às lágrimas e transforma o luto em esperança sobrenatural.

São Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, exortava os cristãos a não se entristecerem “como os outros que não têm esperança” (1Ts 4,13). O Apóstolo não condena a tristeza; ele apenas recorda que a tristeza do cristão é iluminada pela certeza da vitória de Cristo sobre a morte. Pela sua Paixão, Morte e Ressurreição, Nosso Senhor abriu-nos as portas da eternidade e preparou para seus filhos uma morada que jamais terá fim.

Ao longo de sua vida sacerdotal, certamente muitas vezes o senhor levou palavras de consolo a famílias enlutadas, anunciou a esperança da ressurreição e celebrou os santos mistérios em sufrágio pelos falecidos. Agora, a Providência permite que experimente pessoalmente esta dor, não como abandono, mas como participação mais íntima no mistério da Cruz de Cristo. O sacerdote, configurado ao Bom Pastor, aprende também a unir suas lágrimas às lágrimas do Redentor, transformando-as em oração e entrega.

Quantas recordações certamente permanecem vivas em vosso coração! A presença de uma avó costuma marcar profundamente a história de uma família: seus ensinamentos simples, seus gestos de carinho, suas orações silenciosas, seu testemunho de fé e perseverança. Muitas vezes, são justamente os avós que ajudam a transmitir às novas gerações o amor a Deus, a devoção mariana e os valores cristãos que sustentam uma vocação sacerdotal. Por isso, ao recordar a vida de sua avó, contemplamos também uma história que, de algum modo, participou da formação de seu caminho diante do altar do Senhor.

Neste momento, é importante recordar que nossas orações pelos falecidos possuem imenso valor espiritual. A Santa Igreja, desde os primeiros séculos, oferece sufrágios pelas almas daqueles que partiram desta vida. Cada Santa Missa celebrada, cada Rosário rezado, cada ato de caridade oferecido em intenção dos falecidos manifesta a beleza da comunhão espiritual que une a Igreja peregrina à Igreja padecente e à Igreja gloriosa.

Confiamos que a misericórdia infinita de Deus acolha sua avó na paz eterna. O Senhor, que conhece profundamente cada coração, saberá recompensar todo gesto de amor, todo sacrifício escondido e toda fidelidade vivida ao longo da existência terrena. E mesmo que a fragilidade humana acompanhe cada pessoa, maior ainda é a misericórdia divina, que jamais abandona aqueles que n’Ele confiam.

A liturgia das exéquias cristãs é profundamente marcada pela esperança. Em meio às lágrimas, a Igreja canta: “Para os que creem em Vós, Senhor, a vida não é tirada, mas transformada.” Esta afirmação resume admiravelmente a visão cristã da morte. Não caminhamos rumo ao nada, mas rumo à plenitude. Não fomos criados para a destruição, mas para a eternidade. Deus nos fez para Si, e nosso coração somente encontrará descanso definitivo quando repousar em Sua presença gloriosa.

Sabemos que as responsabilidades pastorais muitas vezes exigem do sacerdote uma fortaleza constante diante do povo de Deus. Entretanto, também é importante permitir-se viver este momento de luto com serenidade e autenticidade, confiando que o Senhor sustenta aqueles que O servem. A graça divina não elimina automaticamente o sofrimento, mas o transforma em ocasião de amadurecimento espiritual, purificação interior e abandono confiante nas mãos do Pai.

Queremos ainda manifestar nossa proximidade espiritual a todos os familiares de sua avó. Pedimos à Santíssima Virgem Maria, Mãe das Dores e Consoladora dos aflitos, que os envolva com seu manto materno. Maria, que permaneceu firme aos pés da Cruz, conhece profundamente a dor da separação e sabe consolar os corações atribulados. Que Ela acompanhe cada membro de sua família e obtenha de Deus a paz necessária para atravessar este tempo de provação.

Rogamos também a São José, patrono da boa morte, que interceda pela alma de sua avó e alcance para todos vocês a serenidade cristã diante do mistério da eternidade. Que os santos anjos conduzam esta alma ao encontro da luz eterna e que os santos do Céu a recebam na alegria do Reino de Deus.

Caríssimo Pe. Vinícius, a Associação dos Arautos do Evangelho une-se a vós não apenas institucionalmente, mas verdadeiramente como família espiritual. Compartilhamos sua dor e, ao mesmo tempo, reafirmamos nossa confiança absoluta na promessa de Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25).

Que estas palavras do Evangelho sejam para o senhor fonte de consolação e força. A morte não destrói os vínculos construídos no amor de Deus; ela apenas os transforma e os projeta para a eternidade. Permanecemos unidos na oração, aguardando o dia em que, pela misericórdia divina, todos nos reencontraremos na Jerusalém Celeste, onde não haverá mais morte, nem luto, nem lágrimas, porque Deus será tudo em todos.

Receba, portanto, nossa solidariedade fraterna, nosso abraço espiritual e nossas incessantes orações neste momento de provação. Que o Senhor sustente o vosso sacerdócio, fortaleça vossa esperança e conceda eterno descanso à alma de sua querida avó.

Com estima fraterna e bênção em Cristo,

 
 VICTOR KERNICKI SCOGNAMIGLIO, EP-M
Arcebispo Titular de Mauriana
Nuntius Apostolicus in Brasilia

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem